Homem Aranha: de volta ao lar, um filme (sem tio) Ben melhor que os anteriores

Homem Aranha: de volta ao lar, um filme (sem tio) Ben melhor que os anteriores Começar a contar uma história pelo começo em geral é uma boa, mas quando já se fez isso incontáveis vezes nos últimos anos e outras tantas nos cinco filmes lançados nos últimos quinze anos, fica fácil identificar que o primeiro de Homem Aranha: de volta ao lar, que estreou em julho de 2017 nos cinemas brasileiros, é justamente não perder tempo em lembrar que Peter Parker foi picado por uma aranha radioativa para adquirir seus poderes. 


Também não se perdeu tempo em relembrar a morte de Tio Be
n e a origem da famosa frase “Com grandes poderes vem grandes responsabilidades”, mas, curiosamente, o foco – e o grande acerto do filme – remetem justamente à origem do personagem da Marvel no ano de 1962: as aventuras e desventuras de um adolescente, até então vítima do bullying e da impopularidade, ao se descobrir superpoderoso e querer ajudar o mundo sem estar preparado pra isso. 

Como tem feito nos filmes anteriores, a Marvel ligou o filme aos lançados anteriormente, portanto a história começa após os eventos de Vingadores: Guerra Civil, no qual o jovem Homem-Aranha (Tom Holland) já apareceu de maneira mais rápida, com destaque para inesquecível cena em que rouba o escudo do Capitão América. 


Terminada a luta entre os heróis, o Aranha tem de voltar para casa e voltar a lidar com o dia a dia que, agora mais do que nunca, parece extremamente pequeno e monótono. Cabe aqui um parêntese: Homecoming, ainda que a tradução “de volta ao lar” não faça feio, é mais do que isso: trata-se do nome da festa anual que ocorre em todo território estadunidense por volta de setembro ou outubro para marcar a volta dos alunos às aulas, tanto nos colégios quando universidades. 

A escolha do nome, portanto, foi bastante acertada, já que o Aranha, ou melhor, Peter Parker, estará de volta à escola, aos dramas adolescentes, aos colegas estranhos, às paixonites típicas. É claro, porém, que nada é tão típico assim na vida de Peter Parker e, se no início ele até que consegue soreviver à highschool e aos pequenos crimes que começa a resolver para se provar digno de mais aos olhos do “padrinho” Tony Stark/Homem-de-Ferro, não demora para surgir um tremendo vilão em seu caminho.


Por sinal, o vilão é um dos destaques do filme: Adrian Tooms, o Abutre, brilhantemente interpretado por Michael Keaton. Aqui, porém, entra um diferencial do filme: em vez do senhorzinho assaltante de bancos dos quadrinhos, este Abutre é um engenheiro-eletrônico genial que se revolta com o sistema.


Toomes trabalhava para a prefeitura de Nova York até o embate entre Vingadores e os Chitauri (originalmente no primeiro filme da franquia dos Avengers, em 2012) e acaba perdendo seus contratos no que considera ser uma grande injustiça. Revoltado contra o desemprego e a falta de oportunidades do “homem comum”, Toomes começa a coletar a sucata alienígena para transformar em armas e alimentar o submundo da cidade, além de desenvolver para si mesmo o moderno e letal traje de Abutre.


Além do vilão e os asseclas dele, o Aranha terá que enfrentar na escola o rival Flash (beeem diferente do tradicional loiro forte das HQs), muitas vezes se ver dividido entre salvar a vizinhança e tentar engatar um namoro com Liz Allen, ter a cumplicidade e o excesso de amizade do amigo Ned Leeds, pra não mencionar as dificuldades em esconder a vida dupla da bela Tia May (interpretada por Marisa Tomei). Tudo isso em meio a boas cenas de ação e as tradicionais piadinhas que são a grande característica do Homem Aranha desde que ele foi inventado, há mais de cinquenta anos.


Ah, como sempre ocorre no filme da Marvel, após o filme há extras e é bom ficar sentado depois dos créditos para conferi-los. O primeiro é um encontro entre o Abutre e outro vilão tradicional do Aranha, o Escorpião, e o segundo é uma mensagem do Capitão América para... bem,pra quem ficou sentado após os créditos pra ver os extras. 


Em tempo, a atriz Zendaya (de No Ritmo e outras produções da Disney Channel) aparece em um papel não muito grande como Michelle, uma colega de escola de Peter que, mais pro fim do filme, avisa aos colegas que quer ser chamada de “MJ”. Como este era o apelido da namorada (e futura esposa de Peter Parker), Mary Jane Watson, muita gente já concluiu que ela volta na sequência de Homecoming como interesse amoroso do herói.

Outros filmes do Aranha

O título desta matéria diz que De volta ao lar é “ben” melhor que os anteriores, mas quais são eles? Em 2002 o diretor Sam Reimi fez o primeiro blockbuster do aracnídeo, estrelado por Tobey Maguire – pra muitos fãs, o melhor Peter Parker de todos, ainda que eles também achem que melhor Aranha seja o atual intérprete, Tom Holland.

A bem da verdade, ainda que a escolha de Maguire tenha causado estranheza na época, o primeiro foi um bom filme, que mostrava a origem do aracnídeo, com destaque para o namoro com Mary Jane (Kirsten Durst) e o vilão Norman Osborn, o Duende Verde.


No segundo filme da trilogia (2004), Mary Jane – que havia sido afastada pelo herói no final do primeiro filme, por medo de que ela se machucasse – está prestes a se casar com John Jameson, filho do editor do Clarim Diário, e Peter se vê as voltas com o Dr. Octopus. Apesar de bem feito, o filme já não teve o impacto do primeiro.
O último da trilogia foi lançado em 2007 e deveria ter como vilão o Homem-Areia, mas o diretor Sam Reimi resolveu incluir Venon durante as filmagens, o que mudou bastante o roteiro. O filme começa com o Aranha enfrentando as consequências de ser um ícone da cultura pop e Mary Jane fazendo sucesso na Broadway, enquanto um tresloucado Harry Osborn ainda busca vingança pela morte do pai.

No meio disso tudo, o criminoso Flint Marko tem seu corpo mudado por uma experiência e passa a ser uma criatura feita de areia e capaz de mudar de forma, enquanto um alienígena mutate cai na terra e inicialmente faz uma simbiose com Peter Parker, transformando-se em um uniforme negro. Porém, quando Parker rejeita o ser porque percebe que está ficando violento, ele se une ao fotógrafo Eddie Brock e se transforma no vilão Venon. Apesar de ter sido o mais criticado pelos analistas, este terceiro filme foi, da trilogia, o que mais arrecadou em bilheteria.
Em 2012 foi a vez de Andrew Garfield assumir o papel de Peter Parker/Homem Aranha pela primeira vez, em The Amazing Spiderman (O espetacular Homem Aranha). Mais uma vez, o filme retoma a origem do herói, picado durante uma visita à Oscorp.

Apesar de boas escolhas de elenco, como Sally Fields para Tia May, Martin Sheen como Tio Bem e Emma Stone para Gwen Stacy, entre outros, a escolha do próprio Garfield não foi muito convincente. O ator faz um Parker que causa certo desconforto a quem está acostumado com os quadrinhos ou viu outros filmes, não convence no personagem. Há piadinhas meio toscas e de humor questionável, como a cena em que uma espécie de hormônio animal cai sobre Peter e ele começa a atrair os mais diversos animais que entram em cena para tentar copular com ele.


Além disso, o roteiro fica mais em cima dos efeitos especiais e tem furos, em especial na parte em que metade de Nova York se transforma em réptil, por uma cortesia do vilão Lagarto, e depois tudo volta ao normal como se não tivesse ocorrido. O filme termina com a morte do capitão Stacy e Gwen se afastando de Parker porque este promete ao capitão que não irá envolvê-la em sua vida dupla, lembrando bastante o final do primeiro filme de 2002.

O segundo filme estrela por Garfield em 2014 (A ameaça de Electro), porém, seria o pior de todos. A impressão do espectador é de que o roteirista inicialmente planejava três ou quatro filmes e, ao ser avisado que aquele seria o último que escreveria, resolveu juntar tudo numa coisa só.

Assim, há três vilões no filme e a impressão é que nenhum é desenvolvido adequadamente. Jamie Foxx começa como um engenheiro meio maluco e quando se transforma no Electro quer apenas destruir o Aranha, com zero de inteligência e carisma menor ainda. Harry Osborn aparece do nada, descobre que tem uma doença incurável herdada do pai que também surge moribundo do nada.

Ele se revolta com o Aranha por descobrir que ele é Parker e não quer doar sangue para curá-lo e, ao descobrir o equipamento de Duende Verde do pai (que estava guardado desde a trilogia anterior, é isso?) simplesmente o veste e sai usando com maestria de quem já fazia isso há anos, uma coisa forçada e ridícula. Pra completar, Gwen Stacy morre (o que também ocorreu nos quadrinhos, mas demorou bastante), Parker sofre por alguns minutos de filme e acaba voltando à ativa porque o Rino – numa espécie de armadura pós moderna terrorista – também aparece no fim do filme, só pra justificar que o herói abandone o luto (depois de ouvir o discurso de formatura de Gwen feito sob medida para a ocasião).

Enfim, muitos efeito especiais, ação exagerada sem contexto e uma pá de cal em qualquer expectativa de continuação daquela franquia. Não à toa a Marvel escolheu outro protagonista, outro roteiro e outra linha para este mais novo filme do herói. Não precisava nem ter sentido Aranha pra saber que dar sequência às aventuras de Andrew Garfield seria um perigo tremendo.


Assista ao Vídeo:
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