Deadpool: um tiro certeiro no mal humor...e no politicamente correto

Deadpool: um tiro certeiro no mal humor...e no politicamente correto Em uma das cenas mais comentadas de Deadpool (até porque foi divulgada no trailer oficial), o personagem interpretado pelo ator Ryan Reynolds declara “Eu não pedi para ser super. E eu não sou herói.” É fato. E a partir daí já fica estabelecido que o filme, ao contrário de muitas classificações dadas pela mídia que insiste em rotular “dentro da caixinha”, não é um filme de super-herói. Nem poderia, afinal, o personagem criado em 1991 pela Marvel é um assassino mercenário, insano, engraçado-politivamente-incorreto e com capacidades e habilidades super-humanas diversas. Não necessariamente nesta ordem.


Mas, se quem quiser assistir ao filme insistir em uma descrição que englobe as linhas tradicionais, imagine que Quentin Tarantino se unisse aos irmãos Farelly para dirigir uma mistura de filme de ação muito bem feito com porções ramdômicas de comédia pastelão, efeitos especiais de primeira, humor ácido e punchlines dignas dos melhores sitcons, doses alternadas de erotismo, coreografias elaboradas de luta e, claro, violência a rodo (afinal, Tarantino não seria escolhido à toa pra esta comparação...).

Não é à toa, então, que Deadpool é um dos primeiros filmes adaptados dos quadrinhos que ganhou classificação indicativa para maiores de 18 anos - ou Rated R - nos EUA (no Brasil, para maiores de 16) . E também não é à toa que o filme está arrecadando muito dinheiro e elogios, em especial pra quem gosta do gêner...ooooops, disso tudo e de Deadpool.



Criado em 1991 por Fabian Niciesa e pelo controvertido Rob Liefield (o sujeito que nos anos 90 ficou famoso por elevar o visual de “heróis anabolisados” a patamares nunca antes concebidos), Wade Wilson – o nome civil do herói - foi concebido como uma paródia ao personagem Slade Wilson/O Exterminador, da DC Comics. 

Já na primeira aventura, como vilão em New Mutants #98 (HQ publicada em 1994 no Brasil na revista X-Men 584), ficavam claras as características do (hoje) protagonista: mortal, adepto de alta tecnologia, fator de cura, um tanto quanto louco e, principalmente, incapaz de fechar a boca um segundo: a todo instante, Deadpool têm sempre uma piadinha engraçada, uma observação cínica ou mesmo algo tosco para dizer – seja de um aliado, de um inimigo, de uma vítima ou de um desavisado.

É justo dizer que o filme segue a linha do personagem a risca, já nos créditos iniciais, que aparecem assim:

Um filme de babaca.

Estrelando o perfeito idiota (Ryan Reynolds – Deadpool)

Uma gostosona (Morena Baccarin – Vanessa)

Um vilão britânico (Ed Skrien – Ajax)

Um alívio cômico (T.J. Miller – Weasel)

Uma adolescente instável (Brianna Hildebrand – Negasonic Teenage Warhead)

Um personagem em computação gráfica (Stefan Kapičić – Colossus)

Uma aparição gratuita (Stan Lee)


Inúmeras outras piadas irão aparecer até o final, muitas escrachadas e outras mais inteligentes - com direito a citações e indiretas a outros livros, comics, atores e atrizes e até mesmo (claro) filmes de super-heróis. Entre eles, o catastrófico Lanterna Verde estrelado pelo próprio Reynolds, que na pele de Deadpool zomba de si mesmo. Na cena em que é informado sobre a possibilidade de se tornar um super-herói, ele dispara: por favor, nada de traje verde e animado.


Piadas à parte, vamos à sinopse do filme: ex-militar americano e atual mercenário, Wade Wilson é diagnosticado com um câncer em estado terminal. Porém, recebe a oportunidade de se salvar caso aceite se submeter a uma experiência científica que pode lhe transformar em um super-humano. 

Recuperado e poderoso, mas com sequelas que incluem um rosto deformado, instabilidade mental e uma verborragia interminável, Wilson acaba se vendo frente a frente com o homem que destruiu sua vida e agora ameaça a mulher que ele ama (a stripper Vanessa Carlysle, interpretada pela brasileira Morena Baccarin).


As cenas calientes entre Morena e Reynolds foram as principais responsáveis pela classificação indicativa do filme. De maneira geral, Deadpool é um daqueles filmes que marca época porque faz muita piada e obviamente não se leva a sério – exatamente como o personagem. 

Por sinal, o recurso de metalinguagem dos quadrinhos (aquele no qual o protagonista constantemente “fala” com o leitor zombando de clichês e situações absurdas, ciente de que está em um HQ) também é usado com maestria na telona.

Mas tem gente, claro, que levou o filme a sério, e demais. A cena em que Deadpool brinca com uma possível homossexualidade de Batman e Robin irritou alguns expectadores – teve quem dissesse que “Deadpool não precisava disso para mostrar que é irreverente - acaba parecendo apenas como um menino de 13 anos preconceituoso.” 

 Sério mesmo? Aparentemente o comentário viria de um fã arraigado de Batman, mas qualquer fã de quadrinhos do Homem-Morcego que se preze já viu até mesmo Alan Moore fazer piada com o tema no clássico Asilo Arkhan. Sinceramente, esperar algo politicamente correto de Deadpool é simplesmente não conhecer o personagem.



Então fica assim: se você já gosta de Deadpool, faça como as milhões de pessoas que foram ver o filme – e já garantiram o anúncio de uma sequência – e vá logo ao cinema. Se não conhece, mas gosta de comédia e quer dar boas risadas (com o risco de não gostar de uma ou outra tirada mais tosca), pode ir também. O mesmo vale pra quem gosta de cenas de ação com direito a porrada comendo solta e algumas cenas quentes. 

Mas se você gosta de heróis tradicionais, é da turma do politicamente correto ou quer algo mais do que entretenimento descompromissado, passe longe. Afinal, como já dizia o próprio Deadpool no trailer do filme: “Surprise! This is a different kind of superhero story”. Não tenha a menor dúvida disso. 


Assista ao Vídeo:
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