Inteligente e Divertida Mente

Inteligente e Divertida Mente Não é a toa que a dupla principal de Divertida Mente (Inside Out) são Alegria e Tristeza. Afinal, não só estes são os principais sentimentos que se misturam na cabeça da menina Riley como também na do espectador da animação da Pixar que está nos cinemas nestas férias de julho: há cenas que arrancam boas risadas, outras que emocionam e trazem lágrimas aos olhos e até algumas que fazem chorar...de rir, inclusive. Além de extremamente engraçado, o filme dirigido por Pete Docter é extremamente inteligente e cheio de brincadeiras com referências psicológicas. Em tempo: as crianças menores de cinco anos poderão ter alguma dificuldade com alguns diálogos, mas a julgar pelas reações nas salas de exibição nada que as impeça de se divertir com os personagens e cenários multicoloridos e as diversas sequências no melhor estilo pastelão protagonizadas pelos sentimentos.




Divertida Mente conta a história da menina Riley, de 11 anos, de um ponto de vista bem intimista: mais especificamente, de dentro da cabeça dela. Ali vivem os cinco sentimentos que acompanham e interferem na vida da garota desde o nascimento dela. A primeira a chegar foi Alegria (cerca de 30 segundos antes de Tristeza, como ela mesma friza). Completam o grupo Medo, Raiva e “Nojinho” (no original, Disgust, ou seja, nojo ou repulsa mesmo, mas aparentemente alguém na dublagem achou que usar o diminutivo seria mais adequado para uma personagem feminina).


Os cinco operam uma espécie de central de comando na cabeça da menina, incentivando as reações de acordo com o que acontece no dia dela. De quando em quando, são produzidas memórias e enviadas para o local – globos reluzentes com a cor do sentimento predominante. As mais fortes tornam-se memórias bases, guardadas com muito cuidado, e outras são enviadas para fora da central de comando para armazenamento. Alegria é quem comanda os demais sentimentos e, não por acaso, a maior parte das memórias da garota é bem alegre. Mas as coisas começam a mudar quando os pais da garota têm de trocar o gelado Nebraska por uma casa velha em San Francisco, na Califórnia.



Sem que nem mesmo os próprios sentimentos entendam o que está acontecendo, Tristeza começa a tocar algumas memórias e a aparecer nos momentos mais repentinos – a cena em que a menina fala na sala de aula sobre sua terra natal inicialmente rindo até que Tristeza literalmente toque a memória é de uma sensibilidade notável. Em meio à confusão e tentando proteger as “memórias-base” de Riley, Alegria e sua oposto acabam sendo catapultadas para fora da sala de comando.



Para voltar de onde nunca deviam ter saído, as duas passam por um verdadeiro labirinto de memórias – onde funcionários mandam as que não são usadas, já acinzentadas, para o esquecimento. Bem, nem todas: algumas bem inúteis seguem de volta para a central de comando só por brincadeira, o que fornece uma boa explicação praquelas musiquinhas irritantes de comercial que ninguém consegue esquecer. A partir daí, o desenho mistura de maneira inteligente a aventura de Alegria e Tristeza no caminho de volta com uma série de metáforas literais: a dupla terá pela frente, entre outros cenários, as masmorras do inconsciente, o abismo das memórias esquecidas e o trem do pensamento (que se move rapidamente, mas costuma parar quando a garota dorme) . 


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Elas terão também a ajuda do amigo imaginário de Riley, Bing Bong, que desde que a menina o deixou de lado vive entre os labirintos da memória e o mundo da imaginação (que fica ali pertinho) A cena em que os três invadem a central de produção de sonhos é uma das melhores – entre as muitas – do filme. Enquanto Alegria vai descobrindo pelo caminho que há momentos em que a Tristeza é necessária, Riley passa por um período que mistura um pouco de letargia – sem alegria nem tristeza – com uma vida sob o controle do Medo, da Raiva e do Nojo. Parece bastante filosófico (e é), mas, acredite, é tão real nas cenas quanto engraçado.



O final do desenho é óbvio, mas mais uma vez metafórico: com o tempo e sob fortes impactos emocionais, as emoções de Riley ficam mais complexas – o que no desenho se traduz em uma nova mesa de controle com muito mais alavancas e botões (entre eles um “alerta de puberdade”). Em tempo: uma boa sacada do desenho (que poderia ser surpresa, mas aparece em um dos trailers oficiais) é mostrar que os sentimentos comandam as cabeças de todos e não só de Riley. 


A cena da conversa dos pais com a menina – e dos sentimentos de cada um deles nas respectivas “centrais de comando” - é simplesmente hilária. E não levante logo depois do filme acabar: logo depois dos créditos iniciais há uma sequência imperdível que mostra os sentimentos de outros personagens do filme 



Dublagem

Como acontece em muitos desenhos, em especial da Disney / Pixar, as vozes dos personagens ganham dublagem de atores e atrizes conhecidos. Na versão original de Divertida Mente, os escalados por lá foram , em sua maioria, comediantes. Alegria ficou com Amy Pehler (Alvin e os Esquilos, Deu a louca na Chapeuzinho, Shrek terceiro); Tristeza com Phyllis Smith (Alvin e os esquilos, Professora sem classe, The Office); Medo com Bill Hader (Superbad, Férias frustradas de verão), Nojinho com Mindy Kaling (É o fim, Detona Ralph, Meu malvado favorito) e Raiva com Lewis Black (Hannah e suas irmãs e participações em seriados como Law and Order e The Big Bang Theory).


Na versão em português, houve “polêmica” em relação a alguns dos nomes convocados, com gente reclamando que foram chamados “atores” em vez de “dubladores” (sendo que no Brasil boa parte dos dubladores têm formação de ator). Bobagem, já que os selecionados deram bem conta do recado – e, sinceramente, depois de Luciano Huck ter sido colocado em Enrolados e ainda assim o desenho ter tido sucesso, dificilmente alguém fará coisa pior...

Enfim, Alegria é dublada por Miá Mello (de Meu Passado me condena, 1 e 2), Medo pelo apresentador e ator Otaviano Costa (de novelas como Caras & Bocas e Salve, Jorge), Raiva ficou por conta do cantor Léo Jaime (que também já participou de novelas como Malhação e Bambolê); Tristeza é Katiuscia Canoro (Zorra Total e A Grande Família); e Nojinho com uma surpreendente Dany Calabresa(Zorra, Pânico na TV e Super Pai).


Ah, sim: o cantor Sidney Magal, que já virou figurinha carimbada em diversos desenhos, tem uma participação especial com uma única fala, de uma certa memória de um piloto carioca que parece ser inesquecível para algumas pessoas. 



Assista ao Vídeo:
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