Cinderella: pura e simples

Cinderella: pura e simples O que há de novo em Cinderella, mais novo filme da Disney com direito a elenco estelar contendo Lily James (Downtown Abbey), Richard Madden (Game of Thrones), Helena Bohan Carter (Harry Potter) e Cate Blanchett (Elizabeth)? A resposta é simples: nada. E por incrível que pareça aí é que está o acerto do filme dirigido por Kenneth Branagh.

Nada de mudar as características da personagem principal para torná-la uma aventureira forte e independente como Drew Barrymore no ótimo Para Sempre Cinderela (1998). Nada de sacadas bem humoradas que distorcem com inteligência fatos dos contos originais, na melhor linha Shrek. Nada daquelas saladas que misturam um pouco de cada coisa e distorcem tudo criando uma nova história, como o recente Caminhos da Floresta (2014). E, que fique claro, nada contra novas ideias, mas este Cinderella é Cinderella, pura e simplesmente.




O filme é totalmente baseado no desenho da própria Disney, uma retomada do original para as novas gerações terem a chance de se encantar e os mais velhos, de relembrar. Há cenas, inclusive, totalmente decalcadas no desenho. Como o momento em que Ella - o apelido Cinderella vem das cinzas/borralho ("Cinder", em inglês) com as quais ela se suja ao dormir próxima à lareira, como já sabem os que conhecem o conto da Gata Borralheira - vai chorar no jardim após ter o vestido rasgado pela madrasta e as irmãs postiças.



Mas há, sim, frases de efeito, informações criadas só para esta versão (como o porquê de Cinderella, mesmo mal tratada, não abandonar a casa onde foi transformada de dona em serva e sofre bullying diário) e bons efeitos especiais. Aparece também, de maneira explícita, a famosa moral da história (como cabe a todo conto de fadas) aprendida pela heroína junto à mãe moribunda: em busca de um final feliz, não se deve desistir e é preciso ser corajosa e gentil para enfrentar as situações.



É fato, também, que os fãs do desenhos de 1950 vão encontrar algumas diferenças. O gato Lúcifer está lá, bem como o gordo rato Tatá, mas o companheiro dele, Jac Jac, foi roer em outras cercanias. A bonachona fada deu lugar à uma um tanto trapalhona, que não canta a famosa música (aaaah, que pena), mas de vez em quando solta um "bibidi bobidi boo" quando dispara um encanto com a varinha. O príncipe ganha um capitão da guarda como amigo e fiel companheiro, o rei está sofrendo com uma doença mortal e o grão duque não é tão íntegro quanto o original.



Pequenas mudanças, é verdade. Nada, porém, que desvie ou desvirtue a história do desenho de mais de cinco décadas que encantou milhões de pessoas. Uma história clássica, bem amarrada e, claro, com garantia de final feliz.

Em tempo: houve quem dissesse que Cate Blanchett "roubou a cena" como madrasta ou super-valorizações da interpretação de Helena Boham Carter como fada madrinha. Fato é que todo elenco está afiado e azeitado, com interpretações impecáveis, mas não espere ser arrebatado por um ou outro. O que se destaca neste filme não é uma atriz ou um ator e sim a história de Cinderella, pura e simples. Será que já dissemos isso antes?


Assista ao Vídeo:
Cinderella: pura e simples

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