Foi sem querer querendo: exposição homenageia 30 anos de Chaves na TV Brasileira

Foi sem querer querendo: exposição homenageia 30 anos de Chaves na TV Brasileira
Um produto barato, sem qualidade em termos de TV, que pecava em iluminação, cores, cenário de papelão. Uma porcaria, uma droga. Foi assim, com estas palavras, que os diretores do SBT descreveram a Silvio Santos o seriado que o patrão queria colocar no ar (quem duvida pode conferir na biografia autorizada A Fantástica História de Sílvio Santos, de Arlindo Silva). Mesmo com todo este descrédito, porém, o homem do baú resolveu que iria transmitir o tal programa naquele ano de 1984, inicialmente com cinco episódios teste. Trinta anos depois, Chaves continua sendo um sucesso de audiência, independentemente do horário em que é exibido, sem mencionar que também ganhou versão em desenho animado de sucesso na Cartoon Network. Para homenagear as três décadas de sucesso do garoto que faz tudo “sem querer querendo” e toda a turma do seriado mexicano, a Pandora Escola de Arte organizou uma exposição que é assim...zás, zás, zás, tão boa quanto um sanduíche de presunto!



“Um aluno nosso, o Pedro Netto, teve a iniciativa de fazer um collab, que é um grupo de desenhistas trabalhando sobre o mesmo tema, e montou um grupo no facebook. Os trabalhos foram chegando e resolvemos transformar tudo em na exposição Mês do Chaves, fazendo uma correlação entre as datas comemorativas de outubro e os personagens da vila: o Dia das Crianças é representado pelo Chaves e seus amigos; o Dia do Professor, pelo Girafales; e o Dia das Bruxas pela bruxa do 71, quer dizer, a dona Clotilde”, conta Janio Garcia, professor de arte digital da Pandora.


Ao todo, são 38 trabalhos em diversas técnicas, que fazem uma releitura do garoto que mora num barril. E é claro que não poderia ficar de fora o Chapolin Colorado, sátira aos super-heróis estreada por Roberto Bolaños, o mesmo ator que faz o Chaves, e que também é exibida alternando-se com o programa. Por sinal, as artes feitas por alunos, professores e fãs não são a única atração da expo O Mês do Chaves: também estão sendo expostos originais do quadrinista Eduardo Vetillo, que desenhou as histórias em quadrinhos de Chaves e Chapolin publicadas no Brasil nos anos de 1990.



Apesar de estar fazendo 30 anos no Brasil, Chaves é um pouco mais velho do que isso. O seriado - no original, El Chavo Del Ocho – estreou no México em junho de 1971. O “ocho” do título era uma referência tanto ao fato de o personagem morar no “apartamento número 8” da vila, na verdade seu barril, como também ao canal em que era exibido. Já “Chavo” significa “garoto” ou “moleque”, mas na versão em português virou Chaves por um capricho de dublagem, já que o movimento dos lábios para dizer as duas palavras era similar e facilitava o trabalho.


Quando Silvio Santos comprou nos anos 80 um total de 500 episódios da série, foram necessários três anos para dublar e sonorizar os 400 que mostraram-se aproveitáveis. Diz a lenda que ainda hoje o empresário tem alguns “episódios perdidos”, inéditos, guardados para exibir um dia, o que é estranho considerando-se o quanto se repetem os mesmos. Mas para os fãs, repetir não tem importância, pelo contrário, é até motivo de alegria. Afinal, quem viu e não quer ver de novo o episódio em Acapulco?


Pelo visto pouca gente, já que é dificílimo se achar para vender os boxes de DVD do personagem lançados no Brasil e, mesmo com episódios inteiros no You Tube, os índices de audiência na TV aberta continuam desbancando a concorrência a cada re-exibição.

Com elenco original, Chaves foi gravada até 1978, quando Carlos Világran (o bochechudo Quico) brigou com Bolaños por causa de direitos autorais do personagem que interpretava – Ramón Valdéz, o seu Madruga, também se ausentou por um período na mesma época, para gravar outro programa com Világran, mas voltou atrás e seguiu no seriado até o último episódio, exibido no México em janeiro de 1980. Chaves ainda apareceria na TV mexicana, no formato de um quadro do programa Chespirito, até 1992.


Além de TV, quadrinhos e do desenho animado da Cartoon que estreou em 2006 (no qual a personagem “Chiquinha” não aparece também por brigas de direitos autorais, desta vez com a atriz Maria Antonieta de Las Nieves), Chaves já se impregnou na cultura popular da América Latina a ponte de ter até mesmo estudos filosóficos a seu respeito e pelo menos uma piada famosa em que os personagens são comparados aos países latino americanos (sim, o Brasil é o seu Madruga...).


Como não poderia deixar de ser, há também lendas urbanas sobre a série na Internet. Em uma delas, ao estilo “o último episódio da Caverna do Dragão”, aparecem afirmações tenebrosas de que em um último capítulo nunca gravado dona Clotilde casaria grávida com Madruga, que pouco depois seria morto por um aneurisma que estouraria graças a pancadas de dona Florinda, que por sua vez iria para cadeia – depois de descobrir que Girafales era na verdade um padre sedutor que a enganava - deixando Quico abandonado. Entre outros descalabros, Chiquinha faria um pacto de sangue para que Satanás, o gato de Clotilde, trouxesse Madruga de volta à vida. Tudo bobagem, daquelas que infelizmente costumam surgir em torno de fenômenos pop.


Enfim, histórias – reais ou fictícias - não faltam na longa vida do garoto abandonado mais querido da TV. E a maioria delas garante boas risadas, o que é razão de sobra para conferir de perto a exposição na Pandora. Afinal, se em outubro tinha que haver algo de bom para fazer... tinha que ser o Chaves ! 



Mês do Chaves: os 30 anos de Chaves e Chapolin Colorado

Onde? Pandora Escola de Arte, Rua Joaquim Novaes, Centro, Campinas.
Quando? Até 5 de novembro, com visitação aberta e gratuita de segunda a quinta, das 9 às 20 horas; às sextas, de 9h às 17, e aos sábados, das 9 às 12 horas.

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