Tina, quem diria, se consolida como sex simbol e até recusa convite da Playboy

Tina, quem diria, se consolida como sex simbol e até recusa convite da Playboy Quando foi criada por Maurício de Sousa, em 1964, a personagem Tina era o protótipo de uma hiponga, magrelinha, corpo de menino, de camisa solta e óculos fundo de garrafa. Mas o tempo passou e, a partir dos anos de 1980, Tina foi ganhando curvas, o rosto mudou, os óculos passaram a se alternar com lentes de contato e... voilá: virou um mulherão. 


A mudança não passou batida pelos leitores, desenhistas, por Maurício e nem, quem diria, pela revista Playboy. Fontes na Maurício de Sousa Produções confirmam que a revista sondou a personagem para um ensaio que, com certeza, garantiria bem mais vendas do que o de Marge Simpson.

Maurício, é claro, vetou o “nu artístico”. “Ouvi falar (que queriam o ensaio). Talvez tenha havido alguma tentativa de contato comigo para isso. Desistiram no meio do caminho. Sabiam da minha posição”, diz o pai da Turma da Mônica. 


A preocupação de Maurício com seus personagens, diga-se de passagem, é notória. Nas Graphic Novels de seus personagens que estão chegando às bancas, por exemplo, ele concedeu liberdade total de criação aos roteiristas e desenhistas convidados, mas, apesar de as HQs serem destinadas ao público adulto, nada de sexo ou violência explícita. Isso porque, de uma forma ou de outra, as HQs acabam parando nas mãos do principal público leitor de Mônica e companhia: as crianças.

Se por um lado não há excessos, por outro a sensualidade de Tina é consolidada e reconhecida pelo autor. Até mesmo nas publicações da MSP, Tina é abertamente uma mulher que chama atenção – também - por seus atributos físicos. Apenas para ficar em três exemplos, em um dos álbuns da trilogia MSP50 Caco Galhardo termina sua história com uma verdadeira declaração de amor ao “mulherão” e, no mais recente Ouro da Casa (que reúne histórias desenvolvidas pela equipe de trabalho de Maurício), Mauro Souza a desenha em roupas coladas e Enrique Valdez desenha a moça no banho e em poses e trejeitos sensuais.


“Em atenção ao perfil do nosso público, temos tido cuidados para não passarmos do sensual, sem cair no erótico”, pondera Maurício. Mas a sensual Tina não está apenas nas páginas dos gibis de seu criador. Na internet há vários desenhos explorando mais o lado sex simbol da personagem. 

O desenhista All Pat, por exemplo, tem uma galeria com, até o momento, 32 trabalhos nos quais retrata uma Tina mais voluptuosa “interpretando” outros personagens femininos famosos ou em seriados e desenhos animados renomados . Tina aparece, por exemplo, em Star Trek e caverna do Dragão, ou na pele de Hera Venenosa, Mulher Maravilha e Vampirella.


Maurício vê isso como algo natural. “Personagens de livros ou quadrinhos eventualmente servem de modelo para buscas inconscientes do leitor. Uma mulher bonita, como a Tina se apresenta, naturalmente permite essas ilações. Naturais, dependendo da idade do leitor”, afirma.

Mas esta sensualidade natural, reforça, não levará Tina para as páginas de nenhuma revista masculina no que depender dele, nem mesmo em seções, digamos, mais leves, como “Mulheres que amamos”. “Prefiro ficar no atual estágio, onde a sensualidade natural de uma mulher jovem é o básico para a natureza das nossas histórias”, diz.
Infelizmente para o autor, também há na rede mundial de computadores exageros: histórias eróticas ou mesmo pornográficas estreladas por Tina. Maurício sabe disso e as condena veementemente.  


“Não gosto de saber de - ou ver - interpretações grosseiras, de mau gosto, em paródias de nossas histórias ou personagens. Quando há exageros, tomamos providências para tirar do ar, bloquear a agressão. Nem sempre é fácil”, lamenta.
Exageros à parte, é fato incontestável que Tina já entrou no inconsciente dos leitores como sex simbol. Rolo, portanto, que se cuide, pois a concorrência em busca do coração da moça deve aumentar. E muito.

Matéria publicada originalmente em 2 de outubro de 2012

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