Endless Babies: Jill Thompson deixa os perpétuos bem fofinhos

Endless Babies: Jill Thompson deixa os perpétuos bem fofinhos Quando a artista Jill Thompson ilustrou o arco de histórias Vidas Breves, da série Sandman, o próprio autor Neil Gaiman ficou estarrecido com a qualidade dos desenhos. Mas o que mais conquistou os leitores foi um trabalho de Jill que pouco apareceu no gibi Sandman - para quem não conhece, a série acabou em 1995, mas ainda hoje é um dos mais cultuados quadrinhos adultos de todos os tempos (e o único a ter recebido um prêmio literário, o Fantasy Award).


Em um determinado momento da história, quando Abel (aquele, filho de Eva) conta uma fábula para o bebê Daniel, Jill fez os personagens sérios de Sandman ganharem uma versão fofinha, estilo “baby”. Acontece que esta versão acabou indo parar em páginas na Internet, virou camiseta, descanso de tela e muito mais. 

É claro que tanto Jill quanto Gaiman perceberam o potencial dos personagens fofinhos, por isso mesmo a moça voltou a carga com The Little Endless History Book, uma fábula com os personagens baby de Sandman que acaba de ganhar sua versão brasileira, Os Pequenos Perpétuos, pela editora Brain Store. O grande atrativo do livreto (46 páginas coloridas e com ótimo tratamento gráfico, o que justifica o salgado preço de R$ 19,90) são mesmo os desenhos da moça.


A história em si é bobinha, mas, ainda assim, gostosa tanto para os leitores de Gaiman quanto para crianças que nunca viram os personagens, mas que por se tratar de uma fábula colorida deverão se deliciar com ela. Em especial com o final, inteligente e que deve ser notado na junção de desenho e narração.

A história mostra como o cão Barnabás perde sua dona, a pequena Delírio, e sua odisseia pelo reino dos demais perpétuos em busca dela. Vale aqui um parêntese: os perpétuos são entidades conceituais que fazem parte da vida de todo o ser humano (e da maioria dos não-humanos também). Todos nós, vez por outra, adentramos os reinos destas entidades, a saber: Destino, Morte, Sonho, Destruição, Desejo, Desespero e Delírio.


Os leitores assíduos de Sandman lembrarão que Barnabás é o cachorro de Destruição, que recebeu do antigo dono a incumbência de cuidar de Delírio, uma mocinha nada instável, que vive se perdendo no seu reino desconexo (ora, ela é Delírio, certo?). Mas a fábula não tem pretensão alguma de ser continuidade ou ter qualquer relação com o universo de Sandman além do "elenco" transformado em bebê.

A graça toda se resume, então, nos desenhos fofinhos e bem feitos de Jill Thompson, que automaticamente transformam o livreto em objeto de desejo de, como bem diz a sinopse da contracapa, "crianças de qualquer idade". Ressalta-se ainda a boa tradução de Jotapê Martins, que até mesmo resolveu um "problema" causado pela lingua portuguesa.

Em inglês, os nomes de todos os perpétuos se iniciam com a letra "D" (Destiny, Death, Dream, Destruction, Desire, Despair e Delirium), só que por aqui justamente os dois mais importantes, na tradução, fugiram à regra: Sonho e Morte. Jotapê brinca com isso em sua tradução e resolve o problema de maneira criativa: Devaneio, também conhecido como Sonho, e Desencarnação (adivinhe quem?). Os Pequenos Perpétuos já está nas bancas e lojas especializadas. Um sonho bem fofinho.


Publicado originalmente em 12/12/2001

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