Quadrindex: Homem Aranha (Spiderman)

Quadrindex: Homem Aranha (Spiderman) Criação: Ao lado de X-Men, ele é o carro-chefe em vendas da Editora Marvel. Mas ao contrário dos mutantes em geral, que dividem opiniões, o Aranha é apontado como o mais querido personagem da editora em todos os tempos. Mais ainda, estabeleceu um novo patamar de heróis ao ser criado por Stan Lee e Steve Ditko –o personagem fez sua estreia em 1962. 


Lee, que inicialmente idealizou o personagem como “Homem-Mosca" ao ver um destes insetos na parede (e por sorte mudou de idéia por achar moscas impopulares), criou com o herói aracnídeo o gênero “heróis humanos”.
Não que os outros fossem todos alienígenas, mas o jovem Peter Parker desde sempre foi um personagem sensível, cheio de problemas e angústias típicas da humanidade e, em especial, da adolescência. 


E carrega toda essa bagagem emocional para debaixo da máscara de Spiderman. No entanto, o Aranha nada tem de nostálgico, pelo contrário: seja pela pouca maturidade ou como mecanismo de defesa, o herói não se cala um minuto enquanto luta, disparando piadinhas infames na mesma velocidade de suas teias.

Com toda sua popularidade, o personagem já estrelou diversos filmes (um dos mais recentes, De Volta ao Lar, foi lançado em julho de 2017), desenhos animados, videogames, livros e séries de TV (uma delas tinha um ex-membro da família Von Trapp, da Noviça Rebelde, omo Peter Parker...), além de ter a figura estampada em inúmeros brinquedos.


Enredo e personagens: Ao ser picado por uma “aranha radioativa” durante uma feira de ciências na escola - nas versões que se seguiriam, em uma universidade ou na indústria de Harry Osborn – Parker adquire “poderes de aranha”.

Consegue aderir a qualquer superfície, desenvolve um sentido que o avisa de qualquer perigo, super-força e agilidade. Graças ao intelecto privilegiado que o garoto já possuía, cria um composto químico que imita as teias de aranha e um lançador para utilizá-lo. Mas sua primeira ideia sobre o que fazer com os poderes é extremamente humana: ganhar dinheiro. 


Usando uma fantasia feita à mão, se inscreve em um campeonato de luta-livre. Ganha o dinheiro e, ao ver um ladrão em fuga, não faz nada porque aquilo não é problema dele. O mesmo ladrão, porém, acaba matando tio Ben, o homem que o criou.

A partir daí, Parker lembra-se do que pregava o tio (“com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”), resolve agir contra o crime e passa a carregar uma dose cavalar de angústia e culpa que o seguirão por toda a vida.

Stan Lee, porém, queria mais e assim desenvolveu para o herói a fórmula “desgraça pouca é bobagem” e ainda assim é preciso dar o melhor de si em tudo (porque com grandes poderes...).

Portanto, Parker continua a ser hostilizado na escola sem se defender para não ver a identidade revelada, passa por babaca ao abandonar possíveis namoradas (porque tem de salvar o mundo, mas não pode revelar isso a elas), não pode contar seu segredo a viúva de seu tio porque teme que ela morra do coração, vê o amor de sua vida (Gwen Stacy) pensar que ele matou o pai dela e, depois, a vê ser morta pelo Duende Verde.

Mas a vida continua e Parker dá o melhor de si. Tenta sobreviver como o fotógrafo que faz as melhores fotos do Homem-Aranha, depois utilizadas pelo editor JJ Jameson para difamar seu alter-ego. Aliás, o poder da imprensa e o sensacionalismo são constantemente discutidos nas HQs por meio do paranóico JJ.

Para sobreviver a tudo isso, o Aranha é cheio de piadinhas infames - e aí, na utilização do humor como arma, reside seu segundo trunfo junto aos leitores. Nem mesmo seriados televisivos como Friends, em seu auge, jamais tiveram tantas punchlines hilárias como o aracnídeo.

A fase do uniforme negro, nos quadrinhos, foi uma das mais interessantes propostas dos argumentistas da Marvel, e ocorreu após a macrossérie Guerras Secretas, no qual é apresentado o uniforme alienígena que se tornaria Venom, um dos maiores vilões do “amigão da vizinhança”). 


Eventualmente, o Aranha casa-se com Mary Jane, uma super-modelo amiga de infância que sabe de seu segredo. Mas o casamento não resiste ao alter-ego. Primeiro, como a união estava impedindo a livre ação do personagem, os escritores do Aranha erraram a mão e afastaram muitos fãs ao “ revelar” , na década de 90, que os leitores estavam acompanhando as aventuras de um clone de Parker e não do herói em si.

Depois, “descobriu-se” que Parker era o original e não o clone, e ele voltou a ativa. Mary Jane ficou grávida, mas a bebê é raptada e dada como morta (afinal, os argumentistas não podiam ter um bebê na história já que bebês crescem, e então o Aranha teria de envelhecer). 

A própria Mary Jane é dada como morta em um acidente de avião e, quando descobre-se que ela estava viva, o relacionamento está por demais abalado. Peter Parker torna-se professor de um colégio e tenta reconquistar a ex-esposa, além de ter descoberto que seus poderes podem ter vindo não de uma simples aranha, mas de uma manifestação mística. Os dois voltam a ficar juntos e bem, até que...


... em 2007/2008, os argumentistas da Marvel resolvem criar a série Um novo dia, na qual Peter e Mary Jane fazem um pacto com o, bem, diabo para evitar a morte de Tia May. Todo o passado em comum dos dois é meramente apagado – o que é uma boa considerando-se que na série Guerra Civil o Aranha tinha revelado sua identidade secreta ao mundo - e a partir daí surgem diversos novos personagens, heróis e vilões.

Em 2014, com a suposta morte de Wolverine, Homem-Aranha assumiu o cargo de diretor da escola para superdotados do professor Xavier. Por fim, em 2016, a Marvel lançou Guerra Civil II, na qual os heróis da editora mais uma vez se encontram divididos: uma parte quer usar os poderes de previsão do futuro do inumano Ulysses para prender vilões antes deles cometerem os crimes e a outra (na qual o cabeça-de-teia se encontra) é contra a ideia por acreditar que o livre arbítrio possa se sobrepor ao determinismo e, portanto, não existir um futuro fechado.

Além da série regular os leitores também puderam acompanhar outra versão, muito interessante, na revista Homem-Aranha Millenium, que “recriou” a origem do Aranha para os tempos atuais.

Inicialmente Aranha Millenium (Ultimate, em inglês) foi bem mais próximo da origem do personagem: um adolescente, cheio de problemas da idade. Porém, talvez porque estava tendo mais popularidade que o então original, Peter Parker Millenium acabou morrendo (salvando inocentes, claro) e foi substituído como Homem-Aranha por Miles Morales, um adolescente negro.

Nas revistas Millenium também os vilões e aliados foram adaptados aos novos tempos, em um resultado surpreendentemente bom e numa história ágil e sem enrolações. Ah, sim, este é o último segredo da popularidade do Homem-Aranha: uma galeria incrível de vilões, tanto do ponto de vista psicológico como visual. 


Além de Duende Verde, Dr. Octopus, Venom e Homem Areia, todos já bem mostrados na trilogia lançada para o cinema, o Aranha enfrentou dezenas de criminosos memoráveis como Electro, Gata Negra, Carnificina, Kraven o caçador, O Rosa, Rei do Crime, Abutre, Lagarto, Mystério e Rino, entre outros. 


Curiosidade: Obama é fã

O ex-presidente americano Barack Obama é fã do Homem Aranha e foi até homenageado pela Marvel. Não saiu nos jornais (provavelmente o FBI encobriu a história...), mas se não fosse o Homem Aranha, Obama teria sido morto pelo vilão Camaleão bem no dia de sua posse. Esta história, que fez a revista do Aracnídeo vender mais de 350 mil exemplares lá nos Estados Unidos, saiu no Brasil em Homem-Aranha 87 (100 páginas, R$ 7,50 )


Essa não é a primeira vez que aparecem pessoas e fatos verdadeiros misturados nas HQs de heróis. O próprio Aranha já se encontrou com celebridades americanas – há uma história engraçadíssima e famosa com o apresentador Jay Leno – e junto com outros heróis e até vilões ajudou os bombeiros depois do ataque terrorista ao World Trade Center, em 2001.

Mas se o assunto é presidente, o campeão é Super-Homem. Reagan, Clinton e Bush já apareceram nas HQs do herói e ele mesmo já se encontrou pessoalmente com Frankin Roosevelt e John Keneddy. Aliás, este último presidente sabia da identidade secreta do herói e ajudou a protegê-la. O Super também tem uma história famosa em que luta com o boxeador Cassius Clay, desenhada em 1978, que ainda hoje é vendida na Internet por colecionadores (uma edição francesa sai por U$ 140).

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