Memórias – em quadrinhos – de Maurício de Sousa: 30 artistas contam episódios da vida do pai da Mônica

Memórias – em quadrinhos – de Maurício de Sousa: 30 artistas contam episódios da vida do pai da Mônica A história, ou melhor dizendo, as histórias de Maurício de Sousa, o autor, já foram contadas em prosa, em verso e em quadrinhos. Em 1999 e 2000 o pai da Mônica lançou, respectivamente, Navegando nas Letras I e II, pela editora Globo, onde reunia crônicas mais de uma centena de crônicas contando episódios pra lá de interessante de sua vida – da criação de personagens a origem dos nomes de cada um, do surgimento familiar da rede de distribuição das tiras do Cebolinha a encontros memoráveis com mitos dos quadrinhos como Will Eisner e Tezuka Osamu.



Em 2007, pela Panini, foi lançada Maurício de Sousa – Biografia em quadrinhos, uma HQ de mais de 90 páginas no qual os personagens lembravam as principais passagens da vida do criador, em uma espécie de cerimônia de Oscar pelo conjunto da obra ao autor com direito a muitas sacadinhas bem humoradas.


Em 2015, a Panini comemorou as oito décadas de vida de Maurício – completadas em 27 de outubro daquele ano – com maurici8o, uma edição especial na qual o autor, dentro das HQs. Relembrava passagens marcantes de sua vida e obra com a ajuda do lápis mágico. 


Fato é que, assim como os personagens criados por ele, os acontecimentos reais envolvendo Maurício parecem ser uma fonte inesgotável de boas histórias, razão pela qual a Panini acaba de lançar Memórias do Mauricio, obra de 212 páginas trazendo 25 episódios da vida do autor contados por 30 artistas.


Isso mesmo: a ideia desta vez é seguir a fórmula de sucesso iniciada em MSP50, num hoje longínquo 2009, quando 50 quadrinistas foram convidados para fazer suas versões dos personagens de Maurício de Sousa em homenagem aos 50 anos de carreira do autor. Para quadrinizar estas “Memórias”, foram convidadas três dezenas de craques: Gustavo Duarte, Samanta Flôor, Herbert Berbert, Fábio Coala, Gustavo Borges, Lu Cafaggi, Vencys Lao, Sandro Hojo, Thobias Daneluz, Danilo Beyruth, Cris Peter, Laudo Ferreira, Omar Viñole, Artur Fujita, Davi Calil, Eduardo Schaal, Eduardo Damasceno, Luís Felipe Garrocho, Vitor Cafaggi, Eduardo Ferigato, Eduardo Medeiros, Spacca, Julio Brilha, Guilherme Petreca, Flávio Luiz, Adriana Melo, Magno Costa, Marcelo Costa, Erica Awano, Shiko e Alex Shibao. Um verdadeiro festival de talento.


“Foi um prazer enorme ver tantos e tão diferentes Maurícios. E mais ainda enxergar em cada um deles um pouco das minhas características físicas. Além disso, como o livro obedece a uma ordem ligeiramente cronológica das histórias, é como se eu estivesse folheando um antigo álbum de lembranças”, comenta Mauricio de Sousa no texto que introduz a obra. Os 25 “momentos marcantes” foram escolhidos desde a infância de Mauricio de Sousa até os dias atuais e, sim, quem já leu as obras anteriores ou já viu entrevistas do autor ira (re)ler algumas histórias que já foram contadas, como a gênese da Mônica (e os personagens femininos) ou o pequeno vendedor de doces, apenas para citar algumas.


Mas a sensação de Déjà Vu não vai passar disso, uma mera sensação, já que o traço e a habilidade de cada um dos quadrinistas selecionados traz um novo olhar e (por que não dizer?) dá nova vida aos trechos da vida de Maurício. Aliás, o dream team da nona arte foi muito bem escolhido e combinado com a história que iria contar.


Danilo Beiruth (com cores de Cris Peter), por exemplo, manda muito bem na HQ que conta a aventura de Maurício como repórter – e é impossível conter um sorriso ao ver que o autor do Necronauta é quem narra uma história de mistério envolvendo ossos... humanos?


A leveza do traço de Lu Cafaggi casa perfeitamente com um episódio “pesado” (o dia em que Maurício queimou seus gibis) e o irmão dela, Vitor Caffagi, conta com maestria o surgimento da dentuça mais amada do Brasil. Por falar em mais amado do Brasil, Spacca foi o escolhido para relatar com seu traço único a gênese de Jotalhão como garoto-propaganda do molho de tomate Cica. A sutil Samantha Flôor dá vida a uma aventura do menino Maurício, Gustavo Borges relata a comilança de içás (com direito a formigas nos requadros), os gêmeos Magno e Marcelo Costa desenham um encontro em Angoulême, na França, com participação de Ziraldo e de um jovem Mike Deodato... e por aí vai.


Nos 80 anos de vida de Maurício, com certeza não faltam boas histórias e, nas hábeis mãos dos talentosos quadrinistas convidados, sobraram bons roteiros e maravilhosos desenhos nos mais variados estilos. O único senão da obra, se existe um, é o preço, um tanto puxado em tempos de crise: R$ 140,00. Mas, além do fato do acabamento caprichado, capa dura e papel couchet, sempre surge a pergunta: quando vale uma obra de arte? Ou quando valem 25? Se a pergunta é subjetiva demais, a resposta é: vale a pena.


(publicado originalmente em 9 de setembro de 2016)

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