Superman x Muhammad Ali: a luta do milênio

Superman x Muhammad Ali: a luta do milênio Muhammad Ali, o maior nome do boxe de todos os tempos, morreu no último dia 4 de junho de 2016, aos 74 anos, em virtude de um choque séptico devido a causas naturais não especificadas. Medalhista olímpico e primeiro boxeador a ganhar o mundial dos pesados três vezes e, Ali – que começou a carreira com o nome de batismo Cassius Clay, antes de se converter ao Islamismo – registrou oficialmente no ringue um total de 57 vitórias, sendo 37 delas por nocaute, e apenas cinco derrotas. Mas há ainda pelo menos mais uma vitória por nocaute, não oficial, que é pouco conhecida dos fãs do esporte (e até mesmo dos fãs de quadrinhos): Muhammad Ali levou à lona ninguém menos que o Super-Homem.


Tudo começou em 1976, quando o produtor de lutas Don King (que ficou famoso tanto por promover as lutas reais de Ali com George Foreman e Joe Frazier quanto pelo penteado que parecia fruto de um tremendo choque elétrico) viu o gigantesco espaço que a mídia dedicou a uma história em quadrinhos que uniu dois principais personagens das editoras DC e Marvel em um crossover: Superman VS Homem-Aranha, o encontro do século. Sempre midiático, King levou até a DC a intrigante proposta de colocar juntos no rinque o último kryptoniano e o “maior, mais ousado e mais bonito lutador do mundo” - como o próprio Ali gostava de se proclamar.

“Outras personalidades da vida real já haviam aparecido em histórias do Homem de Aço, mas nenhuma chamando tanta atenção, ou sendo um parceiro de mesma estatura do personagem. Mas em um ano de HQs grandiloquentes e ambições grandiloquentes, aquele novo encontro tinha um apelo todo particular. Em 1976, Ali era um herói do povo, com características de ícone”, relembra Jenette Kahn, então editora-executiva da DC Comics.


Ela acrescenta: “Ele havia sacrificado quatro de seus melhores anos como boxeador por desafiar o recrutamento e a própria guerra do Vietnã. Mesmo com toda sua fanfarronice e arrogância, era considerado um home de princípios e sincero símbolo da luta dos negros estadunidenses.”

A história, batizada simplesmente de Superman VS. Muhammad Ali, levou dois anos para chegar ao mercado e se tornou um dos maiores sucessos de venda daquele ano de 1978. Com arte de Neal Adams (artista responsável por ter consolidado a imagem de personagens como Superman, Arqueiro Verde e Batman), a HQ de 72 páginas contava uma aventura bem ao estilo da época – o roteiro é de Denny O´Neil.

Clark Kent, Lois Lane e Jimy Olsen, a serviço de uma rede de TV, vão ao bairro onde Muhammad Ali vive tentando encontrar o lutador para uma entrevista exclusiva. Mas, eis-que-se-não-quando surge do nada um alienígena em busca do melhor lutador do planeta Terra para enfrentar o campeão da raça dele – chamada Scrubb - em um ringue (pois todo mundo sabe que o boxe é um esporte interplanetário...).

Caso o melhor lutador terráqueo vença, o planeta continua como estava, mas, se perder ou se recusar a lutar, a armada Scrubb destrói a Terra. Enquanto o alienígena fala, Kent some de cena pra reaparecer como Superman e aí há um debate inicial entre o super-herói e o boxeador para decidir quem vai lutar pelo planeta, pois ambos afirmam ser o melhor.


Ali argumenta que Superman não nasceu na Terra, então não pode ser considerado terráqueo, enquanto o herói diz que cresceu na Terra e adotou o planeta como dele. Ali então diz que o sol amarelo da super-poderes ao herói e que isso é injusto, pois sem eles claro que Ali o derrotaria. Cansado da ladainha, o Scrubb – chamado Rat´Lar – resolve que ambos deverão lutar entre si no planeta dele, onde o sol vermelho deixará Superman sem poderes, e o melhor enfrentará o campeão Scrubb, um benemoth chamado Yunia.

Antes da luta, Superman segue para a Fortaleza da Solidão ao lado de Ali, suprime os próprios poderes e dá uma de sparring do campeão mundial. Depois, na luta de verdade, o boxeador dá uma tremenda surra no kryptoniano, que se recusa a cair. Ali chega a pedir aos “juízes” que declarem nocaute técnico, o que eles não concedem, e na sequência acaba fazendo com que o herói realmente beije o chão, nocauteado.


Na luta com Hunya em si (que tem Jimmy Olsen como locutor oficial), o roteirista da história faz uma brincadeira com a realidade: Na vida real Ali costumava dizer antes em que round nocautearia o adversário e costumava acertar. Assim, na HQ, o lutador faz o mesmo e diz que tudo se encerrará no quarto round. No primeiro, no entanto, quem quase cai é ele (e enquanto isso o Superman, com poderes recuperados, vai destruindo a armada Scrubb por segurança).

Desnecessário. Muhammad Ali nocauteia Yunia exatamente no quarto round e, quando Rat´Lar tenta mudar o acordo, todo o público e o próprio vencido se revoltam e vão pra cima dele. Tudo bem quando acaba bem, e de volta à Terra ainda há tempo pra uma última revelação: Ali descobriu que o super é na verdade Clark Kent. Sem problemas, pois ele é uma pessoa honrada e, além do mais, ambos são os melhores da Terra (o lutador de verdade deve ter adorado esse final!).


Um detalhe interessante da HQ é que a capa da Graphic Novel é dobrável e traz um pôster no qual o desenhista Neal Adams retratou diversas celebridades da época na plateia (entre outros, Frank Sinatra, os Jacksons Five, Lucielle Ball) e outros heróis como Batman, Mulher Maravilha e Lanterna Verde.


Em 2010, nos Estados Unidos, a DC relançou a história em um especial de capa dura caprichado, que em 2001 chegou ao Brasil pela Panini (vendido a R$ 22,90 no site da editora, onde em junho de 2016 se encontrava esgotado). Mas ainda é possível achar uma edição em algumas livrarias, em especial nas sessões nerd/geek, e na Internet há quem venda a edição “em bom estado”, com valores variando entre 60 a 70 reais.

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